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Precisa mesmo de experiência?

Estava em casa e ouvi minha irmã reclamar sobre as ofertas de emprego que ela vinha encontrando. Como recém-formada e ávida por conseguir conquistar seu espaço no mercado de trabalho, ela vinha se frustrando com algo que é a realidade de muitos jovens, uma bela frase estampada no anúncio de emprego: é necessário experiência. E não é qualquer experiência, tem que ser comprovada em meses, ou anos, na função desejada. Antes de ser julgado como um irmão sentindo as dores, vos convido a refletir: quantas vezes você já passou por isso ou teve algum conhecido na mesma situação? Não leio mentes, mas acredito que em ao menos uma oportunidade você pensou!


A indignação é real, mas do ponto de vista de quem trabalha na área de gestão de pessoas, será que essa exigência tem fundamentos? Acontece que a contratação nem sempre é algo planejado, ou seja, quando menos se espera, uma vaga surge porque um colaborador foi desligado da empresa. Logo, os gestores querem pessoas que venham preparadas para suprir aquela lacuna. Querem a experiência de alguém acostumado a lidar com as necessidades que a sua empresa tem, e assim sentir maior segurança na contratação. E convenhamos, quanto mais rápido precisamos apagar o fogo, menos tempo temos para treinar um novo empregado.



As empresas buscam profissionais preparados para o trabalho. Mas o que isso significa realmente?


Empregabilidade


Esse sentimento de insegurança que surge ao ponderar a contratação de um profissional ainda sem experiência pode ser atribuído a um conceito: empregabilidade. Os autores de um interessante artigo publicado na USF citam outros autores ao trazer o termo alinhado ao que entendemos por mercado de trabalho:


Na definição de Campos, Rueda, Martins, Mancini, Ghiraldelli e Fumache (2003), a empregabilidade pode ser compreendida como um conjunto de competências e habilidades necessárias para uma pessoa conquistar e manter um trabalho ou emprego. Pode ser entendida como as ações empreendidas pelas pessoas no intuito de desenvolverem habilidades e buscarem conhecimentos favoráveis ao alcance de uma colocação, formal ou informal, no mercado de trabalho. Vale destacar que as características pessoais, crenças e atitudes podem exercer forte influência sobre a eficácia nos resultados da busca de emprego ou trabalho, afetando, desse modo, o que aqui se denomina empregabilidade.”


Ou seja, terminamos não confiando que aquele candidato que ainda não colecionou experiências no mercado de trabalho possa ter a mesma empregabilidade que alguém que possua maior vivência. Essa questão (quanto maior a experiência, maior a empregabilidade) por si só faria todo sentido, pois, é natural que o acúmulo de experiências venha com novas habilidades e conhecimentos. Contudo, ela deve ser revista, pois, existe uma palavra que, neste caso, vai separar uma pessoa da outra: subjetividade.


Ao selecionar um candidato devem ser levados em consideração inúmeros elementos que visam adequar aquele perfil à necessidade da empresa. Não é a quantidade de títulos, de experiências de emprego ou de formações que vão determinar a atitude positiva para o trabalho e o potencial de desenvolvimento individual. E é isto que vai trazer inovação, criatividade, qualidade e aprimoramento para a sua empresa. Além disso, quantidade não é qualidade. Logo, apenas uma boa avaliação individual pode auxiliá-lo a determinar se o nível de empregabilidade do candidato corresponde àquilo que você precisa.


A seguir, trarei alguns argumentos para encorajá-los a incluir em suas seleções a possibilidade de contratar um recém-formado ou alguém que está em recolocação no mercado de trabalho.

Mas afinal: qual a vantagem de contratar alguém sem experiência?


Primeiramente, nós devemos levar em consideração que esta decisão depende muito da real necessidade da empresa e isso é algo que apenas o gestor da vaga pode avaliar. Mas, há vantagens caso opte por isso. Lembramos que é natural que nas vagas mais complexas, que exigem formação em nível superior, os candidatos já tenham passado pela experiência de estágio. Ele é uma preparação para o que recém-formados encontrarão no dia a dia de trabalho. De qualquer forma, contratar pessoas com pouca/sem experiência é mais efetivo quando há um programa de integração de novos funcionários bem estruturado. A partir do momento que você investe em treinamento básico e orientação para novos colaboradores, isto se torna muito mais vantajoso a curto prazo e traz celeridade para a dinâmica organizacional.

Porém, se sua empresa não possui ainda um programa de integração, que é algo comum de acontecer em empresas pequenas ou recentes, isso não anula os atrativos de contratar quem não possui experiência. Então, fique atento às vantagens que serão apresentadas.

1 – Potencial de aprendizado e desenvolvimento;

Lembre que quem está ingressando no mercado de trabalho normalmente é um jovem (ou não) que quer mostrar seu potencial, sua capacidade de desenvolver habilidades e novas competências. Essa pessoa sabe tanto quanto você que pra se manter no mercado de trabalho ela não precisa ser apenas boa no que faz, mas também provar que é importante para aquela empresa.


2 – Livre de valores, comodismos e comportamentos indesejados;

Quando fazemos uma boa seleção, evidente que já buscamos alinhar estes aspectos do candidato com os da empresa. Mas certos detalhes do dia a dia só são perceptíveis com a convivência diária e podem se manifestar como hábitos praticados em outros empregos. Pense que é uma oportunidade de ter alguém no time que não vai ficar comparando o modelo de gestão e a cultura organizacional com os de outras empresas trabalhadas. Esta é a sua primeira empresa, o que nos leva para o próximo tópico;

3 – Sua empresa será a referência;

A primeira empresa onde ela vai entrar será a referência que ela terá para toda a sua carreira. Sempre será lembrada como a primeira oportunidade e, quanto mais valorosa ela for, melhor será o retorno. Se você fizer uma boa introdução dessa pessoa no mercado de trabalho, tenha certeza que o engajamento dela na equipe será diferenciado, criando confiança, lealdade e engajamento. Além disso, muitos networkings e oportunidades de negócio surgem de ex-empregados que guardam boas lembranças de suas primeiras oportunidades.

4 – Você pode ensinar do jeito correto;

Aquela pessoa será lapidada para a forma de trabalhar que você deseja. Isto se aplica bem à parte técnica do trabalho, mas vai muito além. Não há oportunidade melhor que esta para ensinar a forma correta de executar as funções e os valores necessários que ela deve assimilar. Invista um tempo treinando e acompanhando este desenvolvimento.

5 – Maior exposição a desafios;

Geralmente estão mais propensos a abraçar projetos desafiadores que vão ajudá-los a construir seu nome na empresa.

6 – É mais barato para a sua empresa.

Quanto mais títulos, formações e experiências, maior é a remuneração esperada para aquele profissional. Portanto, para quem está iniciando agora a sua carreira, é natural que sua contratação demande menos investimento financeiro.


Estes foram alguns motivos para você repensar a possibilidade de contratar pessoas sem ter que exigir uma experiência profissional. Infelizmente é algo que ainda vemos muito e a impressão que isso deixa é a de que as empresas estão perdendo grandes oportunidade de firmar laços profissionais sólidos e duradouros. Quando for contratar não procure apenas a técnica, avalie também o comportamento. Procure ver além e perceber onde está o verdadeiro potencial de quem você quer que componha a sua equipe, afinal, ela é o maior investimento da empresa.


A.


Luiz Felipe Spencer

Sócio fundador da Baobá



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